domingo, 8 de novembro de 2009

Por hora, bastaria.


Ir embora em silêncio, sem dizer adeus e em passos lentos (quase flutuando). Largar casa, emprego e tudo que foi e não é mais. Dar o fora daqui, dessa cidade, dessas pessoas e ir viver de amor em uma cabana. Viver no estado mais bruto e primitivo de felicidade. Deitar numa rede e observar as estrelas e a lua cheia no céu, e contemplar a simplicidade da vida. Onde qualquer problema se resolva só de eu me encaixar embaixo dos seus braços.Acordar com a luz do sol. Acreditar em cristais, astrologia e no sexo dos anjos. E ter uma fonte perto do jardim. Um cachorro solto no quintal e passarinhos soltos pelo céu. Conhecer a vida crua. Repleta de paz. Tudo ridiculamente simples. Nomear as pintas do seu corpo pra me distrair. Ouvindo jazz e bossa nova. Viver só com o necessario, sem exageros e sem vicios. A vida seria besta. Mas por hora, bastaria.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Entre karmas e amigos



Conheço o tamanho do poder das palavras. E como a Lo pediu. Resolvi parar 10 minutos antes de ficar bonitinha para sair e escrever um texto. Um texto feito pra acalmar o coração de uma amiga e aproveitar pra dizer a um amigo querido que fez aniversário por esses dias o quanto ele é importante na minha vida.

Difícil escrever assim por encomenda. Tentei alguns começos, apaguei, comecei mais algumas vezes e nada. Peguei um cigarro (ainda to tentando parar, mas também não da pra parar de vez né?!), andei até a janela e fui ver o movimento. A tentativa de largar o cigarro e os remédios pra dormir, que o médico me receitou, tem me feito viver menos entre cigarros e xícaras de café nas noites de insônia. Só me restou, então, buscar inspiração no mundo do lado de fora da minha janela. Olhei a rua como se fosse a primeira vez que a visse. Dei mais um trago e me senti inútil por não conseguir largar o vicio. Tentei imaginar o que escrever para acalmar o coração da amiga que está em casa derrubada por uma virose. E ainda no que escrever pro amigo que está km e km longe de mim, mas tão perto do coração que sinto como se um pedaço do coração dele batesse dentro de mim, juntinho ao meu.

Parada assim, na janela, olhando o mundo la fora, consigo ver o mundo aqui dentro de mim. Acho que ver as pessoas em movimento me da a sensação de que estão todos seguindo seus caminhos e que o mundo está bem. E se la fora ta tudo bem, é preciso, então, começar a arrumar o que está aqui dentro. Entender o momento. Entender o sentimento (ainda me mantenho nessa luta). Entender os porquês das coisas que tem porquês. E lembrar das coisas que não tem porquês só pra sentir o gostinho do inexplicável mais uma vez. Queria escrever pra acalmar o coração de uma amiga, pra dizer prum amigo como é gostosa a sensação de sentir sua presença mesmo ele estando anos luz de distancia. Mas de tanto olhar la pra fora buscando inspiração acabei vendo o que está aqui dentro. Aqui dentro está tudo confuso, está tudo uma bagunça. Porque parece que estou fadada a viver um tipo de Karma.

Digo isso pensando nos amores que tive. Todos com ares de “ter tudo pra dar certo”, e no final não dão. Todos eles. Uma sucessão de falta de sintonia. É sempre assim, eles chegam vêem de perto meu formigamento e minha pressa de vida. Se assustam com os buracos que minhas asas fazem em minhas blusas, mas acabam por aceitar o desafio. Pegam na minha mão e tentam me fazer diminuir o ritmo. Acontece que dou passos largos, e aos poucos eles precisam acelerar os passos se quiserem continuar ao meu lado sem soltar as mãos. E saem correndo comigo, e se acostumam com toda a inconstância que eu apresento. Só que chega uma hora que eu canso. Não deles, mas de amar a mil por hora. Não que eu não vá acelerar meu ritmo novamente, mas há momentos em que tudo que quero é me enroscar no colo de alguém e manter meus pés quentes durante a madrugada. Mas quando eu que fico cansada procurando um amorzinho calmo são eles que têm sede de tudo. E já não se contentam mais em ver meus momentos de tédio de perto. E saem por aí fazendo com que as pessoas se apaixonem perdidamente por eles, para depois se cansarem delas, e partirem então para uma nova história de amor fulminante que durará 60 minutos. Uma sucessão de falta de sintonia. Algo parecido com aquela história onde “primeiro ele a queria e ela nem dava bola, depois ela o quis e ele não quis mais. Ai quando ela desistiu, ele voltou a querê-la”. (Conhece essa historia?!).

E de repente surge um novo alguém, um novo sentimento, um novo contrair de dedos, e tudo aqui dentro fica confuso. E eu deveria escrever um texto que não falasse sobre meu próprio umbigo nem sobre uma espécie de maldição que me persegue. Mas meu coração já foi vasculhado e posto de cabeça pra baixo e por isso acho que não consigo. A janela está aqui escancarada na minha frente mostrando que as pessoas continuam indo, que o mundo continua indo, e que eu, que tenho formigamento e pressa de vida, não posso parar por medo de um karma maldito que me persegue. A janela ta escancarada e do lado de fora tem a Lo com quem eu falo sempre que preciso de suporte. Uma amizade nova, mas que parece existir desde 1930. Tem o Gui, que andou fazendo aniversário e que apesar de eu ficar anos e anos sem vê-lo, afirmo indubitavelmente que um pedaço do coração dele bate dentro de mim. Ele dá suporte a minha alma. Então que esteja uma desordem, que a casa esteja vasculhada, lá fora tem o mundo que segue bem e as pessoas que seguem seus caminhos.Tem minha amiga que apesar da virose continua atenciosa, carinhosa, emotiva, passional e assustadoramente parecida comigo e o amigo querido que é único no mundo, tem jeito de artista e ainda cede um pedaço dele pra morar dentro de mim.

Parada assim, na janela, olhando o mundo la fora, consigo ver, agora, que não se pode amar nada no mundo com a mesma intensidade que amamos as pessoas que nos fazem bem, e aí, o karma em que estou fadada a viver começa a parecer pequeno. E no fundo talvez o seja.

sábado, 31 de outubro de 2009

Cargo dificil de aguentar!

Não sou sutil, não é meu forte. A TPM chega e eu choro descaradamente na frente de quem for, e depois morro de vergonha. Ser mulher é cargo dificil de aguentar. E entre doces e mais doces, sempre uma dose extra de dramas e clichês. E é nessa época do mês que eu perco o poder sobre as palavras que escrevo. E tento botar pra fora aquilo que não consigo gritar. E fico louca e em seguida apática. Escrevo textos e paro no meio. Queria escrever pra falar sobre perguntas que ficam sem respostas e como é dificil conviver com elas. Mas a TPM me consome e não me deixa escrever o que quero, só o que sinto. Sinto tudo e não sinto nada. Sina de que tem o coração trancado. Estou trancada. Pra dentro e pra fora, ninguém entra mas ao mesmo tempo ninguém sai! Mas deveria sair. Talvez se me dessem as respostas das perguntas que ficaram no ar. Talvez se eu parasse de responder as perguntas que nunca me fizeram. Mas o que posso fazer?! Está tudo escrito na minha cara pra quem quiser ler. E ai eu começo a achar que eu não tenho talento pra coisa e ameaço parar de escrever. Depois lembro que chorei e sorri entre palavras e papéis. Só que hoje não controlo mais as palavras. Porque meu coração está trancado, niguém entra e ninguém sai. E eu não sou sutil, tenho tudo estampado na minha testa. Tenho estampado no meu corpo e debaixo das minhas dobras coisas que eu sei que você lê e ignora. E o dia ta cinzento e essa chuva aumenta minha vontade de esmagar o edredom, não pensar em nada e comer uma caixa de bis laka. A TPM vem e tira tudo do lugar, revira minha vida, minha calma, meu orgulho, meus textos e minha pose de mulher equilibrada. E entre doces e mais doces, uma dose extra de dramas e clichês. Ser mulher é cargo dificil de aguentar.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Entre o céu e a terra.

* Se vc nunca ouviu falar em Jerê, provavelmente não vai entender nada deste texto! rsrsrs



Esfreguei os olhos pra enxergar melhor, mas só o que vi foi uma imensidão azul. Tão quieto e tranqüilo que parecia não existir som algum ali. Dei um passo pra frente, e estranhamente não senti o peso do meu corpo, não senti o ar em atrito à minha pele. Seria um imenso e azul espaço vácuo se eu não estivesse respirando tão bem. Meu corpo reagia bem àquela paz e àquela quietude tão incomum para mim. De repente me dei conta que estava sozinha ali. Olhei em volta, procurei por cima, por baixo e por todos os lados e nada. Senti meu coração acelerado pelo medo. Poderia suportar qualquer coisa, mas jamais a solidão!

- Não tenha medo de estar só. A solidão é a melhor forma de autoconhecimento.

A voz vinha de trás. Me virei e vi um homem de cabelos negros, começando a ficar grisalho, alto, nem tão moço, nem tão velho, mas tinha os olhos resplandecentes de sabedoria. Estava sentado em cima de uma mala feita de madeira, que já parecia ter alguns milênios de existência.

Mas quem é você? – perguntei.
E com uma voz que, apesar de doce, soava melancólica, me respondeu: - Sou eu, seu amigo, Jerê!

(Trilha sonora de efeito: I Said I didnt come here to leave you, i didnt come here to lose.. )

Lilla: - Eu pensei que você fosse mais velho!! – Quase precisei gritar pra poder ser ouvida por cima daquela música
Jerê: - Sou do (..I didn't come here believing I would ever be away from you..)
Lilla:
- Desculpe, não consegui te ouvir.
Jerê: - Ó perdão – e com um gesto fez a música parar- O efeito sonoro causa grandes emoções aos seres humanos, sabia?! – Disse meio envergonhado, tentando se explicar.
Lilla: - Tudo bem. Mas como eu disse, achei que fosse mais velho.
Jerê: - Sou do jeito que você me vê ai dentro do seu coração.
Lilla: - Então se eu fosse um bicho, um coelho por exemplo...
Jerê: (interrompendo) - Provavelmente eu teria a forma de um coelho, ou quem sabe de um grande cenourão! – E riu de si mesmo como se aquela tivesse sido a piada do século.
Lilla : - He He He... Mas, Jerê, por que a mala? – Mudei de assunto antes que ele tentasse uma nova piada.
Jerê: - Estou de partida por tempo indeterminado.
Lilla: - Mas porque? Conheço muita gente que te lê. Que busca sabedoria nas coisas que escreve.
Jerê: - Ando meio abatido, preciso me recolher à solidão. Lembra da lição que te dei agora a pouco?
Lilla: - Não prestei muita atenção, na verdade. Desculpe.
Jerê: - A solidão é a melhor forma de autoconhecimento.
Lilla: - Ah,sim. Lembrei. Jerê, você está abatido porque está apaixonado?
Jerê: - Não seja boba, não existe paixão entre os anjos.
Lilla: - Desculpa, é que só sei dar conselhos sobre isso.
Jerê: - Muitas forças atuam em você. Você só não sabe pra onde está indo.
Lilla: - Talvez porque eu não esteja indo a lugar nenhum. Ao contrario de você. - Falei olhando pro malão de madeira.
Jerê: - O movimento continua. Preciso ir.
Lilla: - Olha, Seu Jerê, não me leve a mal não, mas o senhor não pode ir embora assim, simplesmente do nada. Existem pessoas que precisam de direção, de ensinamento! A vida lá embaixo não é como aqui!
Jerê: - As coisas do espaço são mesmo misteriosas. Não tente entendê-las, saiba apenas que são amáveis.
Lilla: - É difícil sobreviver lá embaixo, sabia?!
Jerê: - Lá, muda-se as paisagens, as coisas de ver e de viver, mas você tem que permanecer a mesma. Porque você é eterna. Todos vocês são.
Lilla: - Já vi que não vou lhe convencer a ficar. Foi um prazer te conhecer, mas preciso voltar.
Jerê: - Não vá, fique aqui no meu lugar! Escreves tão bem.
Lilla: - Máeeeu???? Como poderia? Não sou anjo.
Jerê: - Não precisa ser anjo pra passar a frente sabedoria. Basta escrever com o coração.
Lilla: - Mas tudo que escrevo sai parecido comigo: inquieto, perdido e ansioso.
Jerê: - Encontre a paz que encontrará a resposta certa para escrever.
Lilla: - Não daria certo. Preciso do caos constante pra manter minhas turbinas funcionando.
Jerê: - Calma, respire um pouco e olhe em volta. Olhe em que lugar lindo estamos!!
Lilla: - Esse azul infinito me incomoda. Preciso voltar.
Jerê: - Você não sabe para onde está indo.
Lilla: - Estou indo pro lugar de onde não deveria ter saído. Têm pessoas esperando pra ler os meus textos e não vou deixá-los na mão. - E fui saindo,com o peito estufado, pensando: Botei moral no Jerê, quero ver se ele não volta!!!!!!

Esfreguei os olhos pra enxergar melhor, e vi que estava no meu quarto, na minha cama, acordando de um sonho. Estiquei um pouco as pernas, alongando-as. Olhei pro teto do meu quarto e corri pro computador com ânimo máximo pra escrever um novo texto. Quando liguei o monitor: (I Said I didnt come here to leave you, i didnt come here to lose.. ) e uma mensagem piscando na tela: "Nunca deixe de escrever. Leve a sério a vida e as coisas. AME. Reflita sobre isto. Do amigo do espaço.Jerê "

P.S: Texto especial pros orfãos de Jerê!!! hahahahahaha
P.S2: Desculpem minha falta de habilidade com discursos diretos.... hehehehehehe

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Sobre um sorriso, um global e dedos dos pés contraídos


Por trás de um blog sempre existe a eterna desculpa da ficção (e eu até que abuso bastante dela - da ficção). Mas hoje resolvi escrever abertamente sobre mim. E sobre uma amiga - que por não ter me dado permissão pra falar sobre ela, será protegida pelo anonimato. Isto porque não saberia descrever o que aconteceu por via de algum personagem. E também não queria criar ou rebuscar nenhum detalhe. Portanto só poderia ser eu mesma a personagem principal dessa história. Eu e minha amiga protegida pelo anonimato.

Tentei ficar o mais bonita possível – apesar de ter me recusado a trocar os óculos pelas lentes de contato - e dei o melhor de mim para um dia de domingo. Domingo a noite não costuma ser o momento ideal parar sair, mas la fomos nós pra rua. Buscar um pouco de samba e diversão. Mesmo a cabeça tendo andado pensando muito na imaturidade desajeitada de um músico que cruzou a minha vida, o coração anda admirando - entre umas festas e outras - o sorriso de um novo rapaz. Isto, porque quando ele sorri, meu corpo responde de forma estranha. Pura atração, eu sei, mas foi a busca por esse sorriso, somado à companhia imprescindível das amigas, que me deixou ansiosa pra entrar de uma vez naquela festa.

Lá dentro estava um formigueiro de gente se espremendo e tentando à cotoveladas abrir algum espaço para sambar ao som da bateria da Jucutuquara. Eu, que não sei sambar, fui caminhando colada na minha amiga, aceitando - apesar da dor - as pisadas no dedinho do pé e os esbarrões na boca do estômago. Em pouco mais de 15 minutos todo o esforço que eu tinha feito para ficar o mais bonita possível para uma noite de domingo tinha ido por água abaixo. O suor fazia meu cabelo colar no pescoço e a maquiagem escorrer por de trás dos aros dos meus óculos. O que não acabou com o meu ânimo, mas me deixou com medo de encontrar perdido por la o dono do sorriso que eu tinha ido procurar. “Vamos fumar um cigarro?” – convidei minha amiga, que nesta altura já estava de pés no chão, cabelo preso em coque no alto da cabeça e pedindo que a passista da escola de samba a ensinasse alguns passos. - “E olha que não bebi nem uma gota de álcool pra não sabotar a dieta” – Dizia ela pra mim, aceitando o convite pra fumar um cigarro.

Pelo menos nisso essa nova lei antitabagismo estava ajudando, afinal, pra fumar agora tem que ir pro lado de fora da boate. E seria este o momento que eu teria pra tentar recuperar o fôlego e voltar a procurar o menino de sorriso largo que faz meu rosto corar e meu dedão do pé se contrair dentro do sapato toda vez que o vejo. Estava distraída, fumando um cigarro com gosto de culpa (porque estou tentando parar), penteando os cabelos com os dedos e imaginando que talvez fosse melhor desistir. Ele tem o sorriso bonito, mas vive num mundo onde legal mesmo é essa coisa de não se apegar a ninguém e ser de todo mundo ao mesmo tempo. De repente, num grito, minha amiga chamou minha atenção “Joga o cigarro fora, se arruma e vamos entrar. Olha quem está ali?” – Vinha entrando um desses atores Globais que por onde passa causa um reboliço entre as mulheres e um burburinho entre os homens.

O Global entrou, e nós entramos atrás. Engraçado observar como as mulheres mudavam a postura e balançavam exageradamente os cabelos quando ele passava por perto. Pareciam concorrentes de um concurso estilo “Garota samba no pé 2009” e ele – o Global – seria o jurado que determinaria a ganhadora. Mas por sorte de minha amiga, e minha também (não vou negar que também quis dar uma olhadinha no global), ele parou no camarote bem perto ao nosso. A música estava boa, a companhia inigualável e a noite divertida. Minha amiga exalava alegria pelos poros, além do cheiro gostoso de perfume doce. E pude perceber pelo jeito que ela olhava pra ele, que naquele momento o dedão do pé dela também se contraía dentro do sapato. Foi quando de relance, quase que por uma coincidencia do destino, vi passando la longe o sorriso que eu procurava. Extremante galanteador. Talvez não aos olhos de qualquer pessoa, mas aos meus, um galanteador que parece saber jogar bem as cartas que tem na manga. E ficamos as duas ali ficcionadas, paradas no primeiro degrau da escada de Platão (que deveria estar se revirando no caixão uma hora dessa) atiçadas pela fantasia de querer se relacionar com alguém que tenha esse "quê" de impossível, de fora do alcance. Não porque andamos por ai catando o papel do chiclete que eles jogaram no chão. Mas porque é estimulante.

No fim, minha amiga conseguiu. Uma olhada e um sinal. O que pra ela bastou, afinal, ela exala um cheiro doce, samba de pé no chão e não participa de nenhum concurso estilo "Garota samba no pé 2009". Portanto ele que se virasse. E eu? Até tentei. Procurei pelo salão quem eu queria encontrar, mas o esforço foi em vão. Primeiro pensei em processar Murphy e os Deuses por danos morais. Depois achei que estava louca, mas lembrei que eu sempre fui assim e que as coisas são porque têm que ser. Pensei até em esquecer de vez essa historia. Pura atração, eu sei. Mas acontece, que quando ele passa na minha frente e sorri, meu corpo responde de forma estranha. Meu rosto fica corado e meus dedos se contraem no fundo do sapato...
Antes eu tivesse escolhido o global.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Quem conta um conto.. [Parte IV]

... Ana bebe displicente uma xícara de café, olhando a janela imaginando: “onde é que aquele sem vergonha está agora?” Provavelmente em cima do seu edredom branco falando com seu novo e calmo amor das loucuras do último que teve. Depois do fim. Depois que tudo acaba o que resta é a saudade. E só uma coisa é maior do que a saudade, o orgulho. E Ana é só coração – admite. Mas em momentos como esse a cabeça toma conta. O que não tem nada a ver com racionalidade. É a cabeça que pensa em dez desculpas fajutas para ligar e ouvir a voz dele de novo. E fica esperando notícias, e essa volta que nunca chega. E pensa na nova vida dele, no novo país, nos novos amigos e a faz imaginar como deve estar soando seus novos sons, e como deve estar sendo escritas suas novas músicas. E a faz morrer de ciúmes de todo mundo que pode vê-lo todos os dias enquanto ela lhe escreve cartas que jamais serão enviadas. É tudo culpa da cabeça, porque a distancia é imensa e o coração pequeno demais para ela. O coração, alias, conseguiu voltar a bater, mas a cabeça ainda sente falta e pensa muito nele. Coisa de gente apegada demais. Ou talvez viciada demais. Daquelas que sabem que não da certo, mas continuam apostando. No final, Ana deixa de lado, esquece, entende e não liga. Esquece a cabeça e volta a dar prioridade ao coração, que está voltando a bater feliz e só quer o carregar no bolso feito um daqueles chicletes que perdem o gosto...

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

SAUDADES...

[05:15]

Hoje senti uma saudade absurda de você.
no meu som, a voz era a sua. Repetidamente.

Água com gás é o cacete, o negócio é sério!!
(dá o sinal)
- Whisky com energetico, por favor!

Odeio whisky!!
Mas como dizer que sinto saudades???
Merda de orgulho!

- Mais uma dose, por favor!