quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Complexo de Bovary

"With her ever-changing moods [...] she was the amoureuse of all the novels, the heroine of all the plays, the vague "she" of all the poetry books."
 (Gustave Flaubert, Madame Bovary)



Eu só queria te dizer que mal dou conta de mim.
E entre um dia e outro de tédio, a incapacidade de reprimir a vontade de acabar com as minhas próprias vontades. Uma tarefa prazerosamente complicada - ofender a moral, a religião e qualquer coisa que rodeie o meu umbigo na tentativa de provar uma quebra inútil de conceitos obsoletos. A fuga constante da  vida morna de sentimentos e a prática estranha de torturas literárias e musicais. Buscar a nostalgia pra longe dos Charles* e achar que a vida as vezes é difícil demais. Mas difícil demais sou eu, que não nasci com jeito pra coisa! Que falo alto, e falo demais. Como quem tenta ofuscar uma certa impotência diante do discurso. Difícil sou eu que não consigo aceitar apenas o que me cabe, e que às vezes preciso me destapar um pouco pra deixar que vejam que tenho uma tatuagem nas costas. Eu, que volta e meia enfio os pés pelas mãos, escondo sentimentos e faço o que não devo. Depois volto atrás, com a cara lavada, e tento colocar as coisas de volta no lugar. É complicado. E por isso eu queria te dizer que eu mal mal dou conta de mim. Mas, ainda assim, dou conta de você!

domingo, 14 de agosto de 2011

Once upon a Caio F time.....

"O essencial sempre ficará no fundo, esmagado pela superficialidade." [Caio Fernando Abreu]


Me lembro como era bom amar Caio F. E quantas vezes eu escrevi que todos deveriam amá-lo. Agora, me arrependo um tanto do que eu disse. Caio virou literatura Fast-food, virou comer com culpa, comidinha rápida do twitter e aplicativo do Facebook. Uma popularidade falsa, de peso morto, dispensável e "ir-remediável". Todos conhecem, poucos entendem. And that's a pity...

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Pequena expressão de saudade silenciosa:

Quando eu disfarço "você me faz falta" te ignorando...

terça-feira, 31 de maio de 2011

Apple Martini

... E mesmo desse jeito a gente aceita.
Aceita que alguém chegue, por puro acidente, e invada a nossa vida. E nos sufoque o silêncio, depois de questionar nossa moral. Que chegue e nos arranque o direito de decorar nosso rosto, nomear nossas pintas e nos beijar os olhos e as pontas dos dedos - E nessa brincadeira, acaba descobrindo a maneira mais eficaz de nos tirar do sério. E tira! Mas a gente aceita. Aceita e permite que alguém venha pra deixar nossa cama menor e puxar nosso edredom. Alguém que chega, e se instala. E se parte, deixa um vazio imenso. Porque dói deixar ir embora. Mas a gente sabe que por ventura dói, e mesmo assim a gente quer. Porque amores começam e acabam, então a gente aceita. Ainda que cheios de marcas. Porque o corpo aprende antes do que a mente que o significado do amor está localizado naquele pedaço do pescoço onde o cheiro não é igual a mais nada no mundo. O corpo sabe, e te ensina a estar sempre próximo. Cada vez mais junto, deixando sobrar apenas um espaço entre dois corpos onde caiba uma verdade absoluta. Isso basta. E exatamente por isso, a gente acaba aceitando que alguém chegue, invada nosso espaço e vire, acidentalmente, o grande amor da nossa vida.

********
P.S.: Um dia dos namorados recheado de açucar e de afeto pra todos os casais. (:

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Lar é onde o coração está...


Santa Lúcia me acalma. Santa Lúcia caos me acalma. Santa Lúcia foi o começo de muita coisa pra mim. O começo de muita vida, de idas e vindas, de milhares de textos e de grandes descobertas.
Santa Lúcia me dá, todo dia, estranhos que não me pertencem e famílias centenárias, que estão aqui antes mesmo de Santa Lúcia existir. Eu mesma, estou aqui há muito (do meu) tempo. Misturada entre meus vizinhos solitários e as putas e loucos do bairro. Cresci por aqui, observando a diferença gritante da minha ponta da Av. Rio Branco com a ponta de lá da Praia do Canto. Do lado de cá, ainda tem carroça na rua, botecos de esquina, poucos prédios altos e uma vista (quase) linda de morros e casinhas de madeira, que me despertam sensações etéreas e eternas.Sou apegada a essas coisas, porque foram elas que me criaram, junto com as paredes que me cercam e o cheiro do meu quarto. Então não estranhem se um dia eu afirmar, sem dúvida alguma, que o umbigo do mundo é a minha rua.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Aftas

Acordei com refluxo e aftas. Minha mãe diz que isso é culpa da ansiedade. Eu diria que tem um pouquinho de raiva misturada nisso. Porque a raiva sempre estoura na minha boca e no meu estomago. Ficar esse tempo parada tá me abalando. Ai eu entendo porque ando teorizando a pressa e a espera. Porque a prática está me enlouquecendo! Estou começando a ficar cansada, fico 24h me cobrando e repetindo pra mim mesma "preciso fazer alguma coisa". Não gosto quando me sobra tempo. Funciono no muito, no que transborda, ficar parada muito tempo me deixa inquieta, ansiosa. E eu somatizo ansiedade, me dá aftas. Por isso tenho postado mais textos por aqui, me sobram tempo e imaginação demais. Mas a minha mãe vive repetindo, que isso é culpa da ansiedade, das aftas, do refluxo, e que eu devia "jogar o blog fora" e comprar um diário. Talvez um dia eu faça isso. Por enquanto, continuo insistindo. E pensando em voltar pra academia.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Substantivo feminino (de esperar)

"Tenha um objetivo e, mais cedo ou mais tarde, você acabará no divã de um psicanalista. Minha visão é a de uma vida sem objetivos. Essa é a visão de todos os budas. Tudo simplesmente é, por nenhuma razão em absoluto. Tudo é simplesmente um completo absurdo. Se isso for entendido, então qual é a pressa? E pressa pra quê?"  [Osho]


Andei refletindo sobre isso, e acho que só os monges e os sábios aprendem a esperar com graça.

O resto do mundo tá sempre inquieto, querendo interromper o fluxo dos acontecimentos. Estamos imediatistas, tudo tem de ser para ontem e com muita motivação. Afinal, tempo é dinheiro, certo?! Mas estamos com pressa de que? E será que estamos mesmo com pressa, ou simplesmente perdemos a capacidade de esperar? Esperar nos lembra que não estamos no comando. Que não temos controle sobre tudo. E parece que ninguém tá afim de entrar no trem fantasma sem poder fechar os olhos! Vivemos em uma sociedade onde o instantâneo e a busca da felicidade imediata são valores predominantes. E no meio disso, acabamos ficando escravos das nossas vontades, ansiosos e impacientes. O que pra mim, parece ser um indicador, não de limites inerentes ao ser humano, mas da nossa aparente insuficiência de ter esperança.

Não tinha certeza, mas imaginei que espera e esperança de alguma forma se fundissem etimologicamente. O Michaelis confirmou - "Esperança: Substantivo feminino (de esperar)". E ai, a linguagem nos mostra, mais uma vez, que ela sempre encerra em si informações muito mais profundas do que pensamos saber - ou prestamos atenção! A esperança morre, justamente, quando deixamos de esperar em função de uma presunção. Em latim: praesumptio, que significa “tomar antes”, “antecipar”. Antecipamos o desfecho da situação de acordo com nosso grau de desespero, e ai, perdemos a esperança e com ela a capacidade de esperar que as coisas realmente se concluam. Agora, Tudo que fazemos, é porque escolhemos fazer, ainda que inconscientemente. E que bom! Afinal a escolha é nossa base sólida, já que se trata de uma das poucas coisas que ainda temos controle: nossas decisões. Com a espera(nça), então, não é diferente. Você tem que escolher esperar. Escolher sair do mode on e entrar em standby. E, quem sabe, aceitar que você não se move no tempo, e, sim, o tempo que te move.

Maaaaas, como diria a mãe loira do funk, “Quer ficar com a perna grossa? Tem que ter disposição!” (rsrs)

****************
P.S.: Mais um texto hoje. Acho que ligaram as turbinas aqui dentro. De madrugada eu crio, de dia eu reflito. Gosto disso!
P.S.2: Textinho #autoajudafeelings bagaraleo mas tá tudo certo....