quinta-feira, 7 de abril de 2011
Sobre dias de chuva...
E tá chovendo outra vez. Merda de chuva. Deixa a gente com cara de tédio. Eu por exemplo, tenho quase certeza que fico cinza em dias de chuva. To falando da pele mudar literalmente de cor, e me deixar cinza parecendo cimento. Talvez só eu fique cinza. Mas to-do-mun-do começa a por os clichês pra fora depois de cair o primeiro pingo no meio da testa.
Aí vale fumar um Malboro light olhando pro tempo ruim, tomar uma cachaça pra esquentar o corpo, e até ficar mal humorado e mandar uns quatro tomarem no cú – só pra começar. E fora essa encenação toda, ainda tem aquela vontadezinha de, de repente, começar a querer contar histórias inúteis do seu cotidiano pra qualquer pessoa que fique espremido no mesmo metro quadrado que você tentando se proteger.
Já reparou que em dias assim, parece que rola um pacto mutuo implícito, de que a barbeiragem no transito foi liberada?! Vira um verdadeiro caos! Trânsito parado e um bando de imbecil buzinando atrás de você. Se começa o pé d'água e eu to dirigindo, querido, pode esperar, que meus modos vão escorrer junto com a chuva. “Ta com pressa passa por cima, porra!” Você já ta ali, completamente cego, grudado no volante, com limpador de para - brisa sacudindo em velocidade máxima na sua cara, o vidro embaçando e o infeliz atrás de você ainda fica te cornetando?! Manda outros três tomarem no cu. Três, até você perceber que é um velho que tá dirigindo o carro na sua frente, ai, você pode mandar o velho tomar no cu também, porque “com esse temporal” o vovô vai dirigir a quase 0km/h, com toda certeza.
Ok, talvez só eu fique cinza. Mas to-do-mun-do começa a por os clichês pra fora. E acho até que, na verdade, as pessoas não ficam mais introspectivas e caladas em dias chuvosos, pelo contrario, elas falam mais, resmungam mais, bebem mais, fumam mais e (se) fodem mais - vamos combinar!
*****
P.S: Falar "cu" tantas vezes num mesmo texto é tão legal quanto criança que aprende que falar palavrão é feio e (só por isso) fica repetindo o dito-cujo o dia inteiro. hahahahahahahaha (:
Fala Caio...
"Eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio de uma praça, então os meus braços não vão ser suficientes para abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta mas tanta coisa que eu vou ficar calado um tempo enorme só olhando você, sem dizer nada, só olhando e pensando, meu deus mas como você me dói de vez em quando!" (Caio Fernando)
domingo, 27 de março de 2011
Fly me to the moon and let me play amoung the stars...
Nos últimos 3 anos, virei o ano com a sensação de que nada havia mudado. De que a vida tinha permanecido milimetricamente a mesma. Mas sei que no meio disso existiu a vontade de querer dar sempre o melhor de mim, e de ir lá e fazer, seja o que fosse ou porque fosse. Existia a vontade de tentar, de experimentar. E ser o melhor que pudesse ser. E de fato fui lá e fiz. De tudo um pouco. Mas só o que me era interessante, o que me era de vontade própria, e principalmente, o que me era bom. E no mês em que a lua se tornou a maior de si, acho que também o fiz. Tornei-me a maior de mim. Alcancei o meu perigeu lunar. Isso porque nesses últimos anos, desconstruí o discurso que ouvi em algum lugar como se fosse o certo pra mim. E fui em busca de algo que me fizesse essencialmente sentido. Segurei na minha própria mão e fui indo. Até que conseguisse torcer meus membros, lamber minhas feridas, encarar meus problemas, e, também, entender que as palavras que agora escrevo querem mesmo é falar do cotidiano - do doce cotidiano que posso me entregar todos os dias de manhã. Mesmo que ainda não me prive de dizer o quanto uma taça de vinho pode potencializar todo tipo de paixão, o quanto é perigoso juntar os dois ou o quanto dessa mistura eu consigo suportar. Mas do lado de cá está tudo certo. E enquanto a vida for doce, pedirei outra garrafa. De vinho e de paixão.
segunda-feira, 14 de março de 2011
Porque o feminismo ainda é uma farsa...
Não vou começar com aquela conversa de que mulheres são condicionadas desde a pré-história a cuidar da casa e dos filhos enquanto o homem se encarrega da proteção e da caça. Porque livros no estilo “Why men don’t listen and women can’t read maps” existem aos montes por aí. Mas ando achando que é nesse discurso que reside o motivo do feminismo ainda ser uma completa farsa.
A verdade – clichê ou não - é que as mulheres ainda carregam a cruz inconsciente de que são metades, de que a razão de sua existência é a de se dar, de se doar à família, aos filhos ou à outra pessoa. Acontece que, enquanto isso, o (ir)racional tenta segurar a pose de mulheres bem resolvidas do século XXI - ab-so-lu-ta-men-te independentes. Afinal, é isso que se espera delas. Elas precisam ser invulneráveis, trabalhar muitas horas por dia, dar conta da casa, dos filhos, do relacionamento, exercer sua própria personalidade, se exercitar 7 dias na semana, saber todas as posições do kama sutra, sobreviver em cima do salto agulha e ter a cara repuxada com botox.
Acontece que elas acabam entrando em conflito constante com elas mesmas por perceberem que não é tão fácil assim se adequar a esse perfil. E que sempre têm aqueles dias em que a herança pré-histórica feminina transborda pelos poros e elas voltam a sentir que precisam da outra metade para poderem se sentir inteiras novamente. Aí não tem jeito. Mandam às favas toda a história de queimar sutiã em praça pública e ficam desejando poder voltar a ser, por alguns instantes, belas donzelas do século XVIII que gostam de cortejos, e que precisam de colo e proteção. Além disso, nesses dias, passar por criança que precisa de colo não parece loucura e exigir igualdade pela manhã e se recusar a pagar o jantar a noite é algo totalmente coerente pra elas.
Acho que as mulheres estão em fase de transição, de amadurecimento, de conscientização. Mas é preciso buscar sempre o equilíbrio, certo?! Acho então, que nós mulheres, deveríamos assumir logo que homens e mulheres nunca serão iguais, e que o feminismo é na verdade uma grande farsa. E que talvez seja essa a grande questão a ser resolvida. O amadurecimento que ainda falta. Isso e o fato de ainda não termos nos livrado do péssimo hábito de, volta e meia, desprendermos tempo e paciência demais para homens medíocres – mas esse, é um papo pra outra hora...
A verdade – clichê ou não - é que as mulheres ainda carregam a cruz inconsciente de que são metades, de que a razão de sua existência é a de se dar, de se doar à família, aos filhos ou à outra pessoa. Acontece que, enquanto isso, o (ir)racional tenta segurar a pose de mulheres bem resolvidas do século XXI - ab-so-lu-ta-men-te independentes. Afinal, é isso que se espera delas. Elas precisam ser invulneráveis, trabalhar muitas horas por dia, dar conta da casa, dos filhos, do relacionamento, exercer sua própria personalidade, se exercitar 7 dias na semana, saber todas as posições do kama sutra, sobreviver em cima do salto agulha e ter a cara repuxada com botox.
Acontece que elas acabam entrando em conflito constante com elas mesmas por perceberem que não é tão fácil assim se adequar a esse perfil. E que sempre têm aqueles dias em que a herança pré-histórica feminina transborda pelos poros e elas voltam a sentir que precisam da outra metade para poderem se sentir inteiras novamente. Aí não tem jeito. Mandam às favas toda a história de queimar sutiã em praça pública e ficam desejando poder voltar a ser, por alguns instantes, belas donzelas do século XVIII que gostam de cortejos, e que precisam de colo e proteção. Além disso, nesses dias, passar por criança que precisa de colo não parece loucura e exigir igualdade pela manhã e se recusar a pagar o jantar a noite é algo totalmente coerente pra elas.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
data nasc.: 23 de fev. 1989
22 anos daqui a uma semana.
Ainda não sei direito o que mudou por dentro.
Mas algo mudou.
Porque por fora a vida ta mais limpa
as amizades mais selecionadas
e tudo me parece mais calmo.
[weird]
Ainda não sei direito o que mudou por dentro.
Mas algo mudou.
Porque por fora a vida ta mais limpa
as amizades mais selecionadas
e tudo me parece mais calmo.
[weird]
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
Dream a little dream....
Acendeu um cigarro e pensou nas coisas que não lhe apetecia falar. Pensou no passado em comum, nos olhos pequenos e sorriso imponente que ela tem e nas invasões noturnas em seus sonhos. Mesmo não sendo mais dele, e ele não a amando mais, sabia que sua presença ainda ecoava pela casa - que nem sequer foi dela - a ponto de enlouquecê-lo. E num movimento brusco, de quem quer desviar o pensamento, vestiu a camisa amarrotada que estava apoiada na cadeira da sala e saiu na intenção de comprar algo que lhe agradasse o estomago.
Caminhou pelo bairro, enquanto a vizinhança o ignorava, e sentiu o tédio em meio à loucura urbana. Se aproximava do bar, aberto 24 horas, quando reparou na mulher de longos cabelos negros e pele absurdamente pálida parada na calçada. Continuou sério a fita-la. Chegou mais perto, sentindo as pupilas dilatarem. Perguntou as horas. A mulher inclinou o corpo um pouco pra trás pra olhar o relógio, e disse sem muita cerimônia: São duas e vinte sete. Ele, em um movimento com a cabeça, muito formal, agradeceu e entrou.
Depois de comer, passou os olhos pela rua esperando ve-la mais uma vez. Mas não a encontrou.
Voltou pra casa. E sem muita demora percebeu as pestanas dos olhos cederem. Deitado, sentiu alguém repousar suavemente a mão sobre seu peito. Girou o corpo lentamente, e pode observar as curvas alvas e expostas da mulher deitada ao seu lado. Dona de longos cabelos negros, ela vestia apenas um relógio no pulso esquerdo. Nada mais. Estava completamente despida, mas tinha o lençol enrolado entre as pernas. Subiu o olhar até encontrar um rosto alongado de traços marcantes que exibia um par de olhos amendoados, extremamente vivos e acordados. Sentiu suas pupilas voltarem a se dilatar. E a boca seca que a saliva resistia em umedecer.
Ela estava ali.
Ana estava ali.
Mesmo ela não sendo mais dele, e ele não a amando mais. Mas estava ali. Num sonho estranho. O unico que ainda lhe garantia alguma paz.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Umbigo
Bonificação
Gratificação
Abre pra ver
Ver o que é
Esperando o instante de descobrir, enfim.
O passado não é assim
Não há surpresas
E
S
C
O
R
R
E
U
É o que foi
Mas aqui é o que eu quero que seja.
Passado bom se grita em bom tom
E o que não é bom vira pretexto
Pra efabulação e memórias criadas em texto
Escrever
Cutucar
Mexer no passado
Criar histórias melhoradas
E torcer
Pra que depois que os dias passarem
Lembranças
Virem lembrancinhas e brindes
De um presente feliz
E de histórias registradas
Da forma que mais me agrada.
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